16 maio 2017

O ÚLTIMO A RIR

de Ferne Pearlstein

The Last Laugh | 88’ | EUA | 2016 | m/12

Pode uma tragédia com a dimensão do Holocausto ser tema de comédia? Ou, talvez mais importante ainda, não deveria ser?

Comediantes como Mel Brooks, Sarah Silverman e Gilbert Gottfried expressam as suas próprias opiniões sobre os limites da comédia – pontos de vista testados face a reações de sobreviventes do Holocausto.

Com um elenco de luxo, provocador e divertido, este documentário atreve-se a fazer perguntas desconfortáveis sobre quão livre é realmente a liberdade de expressão.

Alguém, uma vez, disse:
“Tragédia mais tempo é igual a comédia.”
E eu sempre pensei, porquê esperar?

Gilbert Gottfried, em The Last Laugh
 
 
Quais os limites para o humor? Existem temas tabu? Como se definem as linhas a não cruzar?

A premiada cineasta Ferne Pearlstein, trabalhando a partir de uma ideia de Kent Kirshenbaum, mergulha nestas questões e nos seus diversos ângulos. O Holocausto, com o genocídio pelos nazis de cerca de 6 milhões de judeus e as muitas sensibilidades associadas a este momento negro da História mundial, ainda hoje gera acesas polémicas. Mas a existência de humor nos próprios campos, apesar do negrume do sofrimento, é também uma realidade. E fazer comédia em torno destes acontecimentos é, ainda, um desafio na atualidade. Nesta interseção surge “O Último a Rir”. Por ele desfilam uma série de intervenientes, desde sobreviventes dos campos de extermínio e seus descendentes, passando por um luxuoso elenco de comediantes americanos (maioritariamente de origem judaica) que se deparam diariamente com esta problemática.

“O Último a Rir” esteve vários anos em desenvolvimento (o “paper” que deu origem ao guião data de 1993) quer devido à dificuldade em conseguir financiamento para filmar sobre um tema tão polémico, quer devido à dificuldade em garantir a participação desta plêiade de “estrelas” da comédia (que tornam este documentário tão especial) ou ainda porque em determinado momento a realizadora optou por utilizar película de 16mm (que é o formato original do filme).

O resultado final é um divertido, ainda que acutilante documentário que, entre gargalhadas, nos faz refletir sobre a diversidade, a humanidade e a efemeridade. Reforço… entre gargalhadas!

Uma entrevista com a realizadora, acerca deste filme, pode ser encontrada AQUI.