Abril, no hádoc

 

Depois da sessão de abertura da 7.ª edição do festival de cinema documental de Leiria, entramos no primeiro mês do hádoc com dois filmes intensos, premiados nos mais conceituados festivais internacionais e dos quais ninguém, certamente, vai sair indiferente.

Máquinas“, é uma viagem visual e sonora às entranhas de uma tinturaria e fábrica de têxteis na Índia.
O título em si já é suficientemente eloquente, mas nada nos prepara para o ambiente onde a câmara deambula, por entre máquinas e os humanos que as operam, com os seus sons, os jogos de sombras e os cheiros que tais imagens nos levam a imaginar. O documentário de Rahul Jain, que cresceu perto de uma destas fábricas, é mais observacional do que político, embora não fuja às questões mais latentes e que estão subjacentes à criação desta obra cinematográfica de eleição, premiada em festivais como o de Sundance. Mais do que um retrato pungente da exploração infantil e do trabalho em condições desumanas, “Máquinas” permite-nos analisar e questionar o que vemos na tela sem interferências de especialistas e opinadores, possibilitando uma ligação muito mais íntima ao local e a todo o seu contexto social e humano.

A Terapia é outro documentário que, com toda a certeza, não vai deixar ninguém sossegado no seu lugar.
Entramos numa prisão de alta segurança e iremos acompanhar um projeto que leva um conceito muito especial de terapia ao interior do cárcere, juntando criminosos violentos com civis e criando um espaço para um tipo de catarse raramente visto em qualquer outro trabalho cinematográfico. Mas o documentário vai mais longe do que mostrar esta terapia, pois leva-nos também a mergulhar em nós próprios e a perceber que, afinal, talvez não sejamos assim tão diferentes uns dos outros, derrubando preconceitos e colocando em causa aquilo que julgamos saber acerca da reabilitação.

Dois grandes documentários a não perder.

 

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