SOBRE FRÁGIL EQUILÍBRIO

 

“Frágil Equilíbrio”

Acerca de Frágil Equilíbrio

por Pablo Godoy-Estel

 
 
O que é “Frágil Equilíbrio”?
Esta civilização está cada vez mais globalizada,
os países são cada vez mais interdependentes.
Navegamos num barco, através do Universo,
e temos responsabilidades pela existência deste barco.
E estamos a carcomer por todos lados, o barco.José Mujica, ex-presidente do Uruguai, para Frágil Equilíbrio.

Frágil Equilíbrio é um documentário universal, que aborda questões que a todos atingem e afetam. Através de três histórias que se estendem por três continentes, urdidas pelo fio condutor da mensagem trazida pelo antigo presidente uruguaio, José “Pepe” Mujica, vemo-nos refletidos na vida de migrantes africanos, trabalhadores espanhóis, executivos japoneses e percebemos que, no final , todos somos iguais. No final, não estamos sozinhos.

Como político e humanista, José Mujica viveu a vida de acordo com sua palavra e espalhou pelos palcos internacionais a sua mensagem e a marca da sua política centrada primeiramente nas pessoas. Ex-guerrilheiro, foi preso pelas suas atividades durante a ditadura militar do Uruguai, ingressou na arena política nos anos 2000 e tornou-se presidente em 2010. Durante a última década e meia, serviu o povo do Uruguai e continua a fazê-lo.

Uma conversa entre os cineastas e o presidente Mujica serve de ponto de partida para este documentário.

O verdadeiro motor tem que ser a defesa da vida.
Porque a vida é um milagre,
porque a vida não pode ser comprada,
porque a vida nos escapa,
porque é o bem maior.
E assim o demonstra o evidente.José Mujica, para Frágil Equilíbrio.
Que história é contada em “Frágil Equilíbrio”?

Continentes e classes podem dividir-nos, mas a humanidade une-nos. Três histórias muito diferentes refletem não apenas os desafios apresentados por um mundo global crescente, mas também as oportunidades. E, no final, aquilo que nos torna diferentes é muito menos do que o que nos torna semelhantes. Seja qual for o contexto, a classe ou a cor, todos nos empenhamos para conseguir as mesmas coisas. Amamos. Queremos. Lutamos. Crescemos. Somos semelhantes.


ÁFRICA: EMIGRAR PARA UMA VIDA MELHOR

Achamos que a desgraça da África é um problema dos africanos. Não, não … Não, não … é problema da humanidade.José Mujica

Emigrantes subsarianos tentam atravessar a fronteira que separa a África da Europa, e assim fugir de países devastados pela pobreza, doenças e violência. O mundo que procuram é aquele em que eles, os seus filhos e os filhos dos seus filhos tenham uma oportunidade. Esta é uma simples e antiga verdade, algo que vive em todos nós: o querer, a necessidade de oportunidade. Numa tradição tão antiga quanto os seres humanos, eles enfrentam ameaças de violência, ostracismo, e deixam para trás tudo o que conheciam e amavam, apenas pela possibilidade, uma ínfima e simples possibilidade de conseguir uma vida melhor para si. Deparamo-nos com uma verdade universal, transversal a nações, continentes e tudo o que nos divide, e que é a de que, como seres humanos, estamos sempre a lutar por uma vida melhor para nossos filhos, para nossas famílias e para nós mesmos. Conseguirão algum dia encontrar-se com os seus sonhos?


JAPÃO: A PERDA DA IDENTIDADE, DA LIBERDADE

O que o homem moderno tem tido contra si,
é que o estão a apressar em tudo, tiram-lhe todo o tempo de vida … É isto a famosa sociedade de mercado.
E isto é construir frustração, infelicidade.José Mujica

O que acontece quando a tua cultura valoriza mais o trabalho que a própria vida? Quando sua sociedade nos diz que a nossa posição é baseado no salário, nos carros, nas horas trabalhadas, nas propriedades que possuímos? Esta é a história do salaryman do Japão. Este termo, cunhado na década de 1930, tornou-se um fenómeno cultural no Japão. Jovens homens morrendo de exaustão. Jovens, trabalhando muitas e longas horas por dia, 7 dias por semana. Porque é isso que a sociedade espera deles. Porque, uma vez atingido este “sonho do primeiro mundo” a que outros tentam com tanta dificuldade alcançar, que se está disposto a fazer para o manter? Os homens desta história descobrem a dura verdade de que nunca temos o suficiente. Nunca temos tempo suficiente. Nunca temos dinheiro suficiente. Nunca temos posses suficientes. Nunca temos posição social suficiente. Descobrem que num mundo que valoriza a riqueza mais do que a vida, estamos todos condenados ao fracasso. E nesse fracasso, perdemos-nos a nós próprios.


ESPANHA: EXPULSOS DO SISTEMA

Há um Sul no Primeiro Mundo,
há também pobreza no Primeiro MundoJosé Mujica

Fraude hipotecária. Especulação imobiliária. As consequências reais da fraude mundial do mercado de ações. Todos foram afetados por ela, de alguma forma. Seja um emprego perdido ou uma casa perdida, os últimos anos mostraram-nos que aqueles a quem confiamos o nosso dinheiro, as nossas casas, as nossas vidas, nem sempre estão preocupados com os nossos melhores interesses. Em Espanha, observamos o resultado da crise económica, pela perspetiva do despejo. Pessoas reais que perderam as suas casas. Pessoas reais cujas vidas foram alteradas para sempre porque os direitos humanos se tornaram secundários à sobrevivência das entidades financeiras. A crise económica global tornou evidentes contradições profundas, até mesmo nos países mais ricos do mundo.

José Alberto “Pepe” Mujica Cordano (nascido em 20 de maio de 1935) é um político uruguaio que foi o 40º presidente do Uruguai entre 2010 e 2015.

Um ex-guerrilheiro urbano com os Tupamaros, esteve preso durante 13 anos, sob a ditadura militar nas décadas de 1970 e 1980. Membro da coligação da partidos de esquerda Frente Amplio, Mujica foi Ministro de Pecuária, Agricultura e Pescas de 2005 a 2008 e posteriormente, senador. Como candidato da Frente Amplio, ganhou as eleições presidenciais de 2009 e assumiu o cargo de presidente em 1 de março de 2010.

Foidescrito como “o presidente mais humilde do mundo” devido ao seu estilo de vida austero e à doação de cerca de 90 por cento do salário mensal para instituições de caridade, em benefício de pessoas pobres e pequenos empreendedores.

Guillermo García López estudou Realização no Instituto Puerta Bonita, em Madrid e é licenciado em Comunicação Audiovisual pela Universidade Complutense de Madrid.

Trabalha há nove anos como realizador para diversas agências de comunicação e publicidade.

Em 2013 fundou a produtora independente Sintagma Films onde trabalha como realizador e produtor.

Nesse mesmo ano produz La Grán Desilusión, dirigido por Pedro González Kühn e nomeado para Melhor Documentário Curto nos Prémios Goya 2014 e com mais de 50 seleções oficiais.

Frágil Equilíbrio é a sua primeira longa-metragem como realizador.

 

Leave a Comment