A TEORIA SUECA DO AMOR

 
 
 
 
 

ESTREIA NACIONAL

 
 
4 abril 2017

A TEORIA SUECA DO AMOR

de Erik Gandini

The Swedish Theory of Love | 80’ | Suécia | 2015 | m/12

A Suécia é tipicamente retratada como uma sociedade perfeita, um modelo a seguir e um símbolo das mais altas conquistas do progresso humano.

“A Teoria Sueca do Amor” elabora sobre a verdadeira natureza do estilo de vida sueco, explora os buracos negros existenciais de uma sociedade que criou as pessoas mais autónomas do mundo, mas onde, também por isso, o contacto social é mínimo e cada vez mais pessoas morrem isoladas.

Nesta sociedade perfeitamente organizada, onde todos têm oportunidades iguais para uma existência independente, as pessoas não precisam de pedir ajuda ou favores a ninguém, reduzindo ao mínimo o contacto entre os indivíduos. Metade da população vive sozinha e há cada vez mais mulheres a optarem por ser mães solteiras através da inseminação artificial.

Será uma vida livre de  problemas uma vida feliz?

 
 
Em ESTREIA NACIONAL, “A Teoria Sueca do Amor” é um documentário de grande pertinência e atualidade, abordando pontos sensíveis da sociedade dos nossos dias. Focando o caso particular da Suécia, que repetidamente vemos apontada como um exemplo de modernidade, estabilidade e progresso social, “A Teoria Sueca do Amor” é no entanto, um ensaio sobre as relações entre indivíduos e os efeitos da (ausência) das mesmas numa comunidade (que pode muito bem ser a “comunidade global”).

Num altura em que os povos “do sul da Europa”, ciclicamente a braços com graves crises económicas e socias, vêm ser-lhes indicadas, como exemplo a seguir, as políticas dos países mais a norte, Erik Gandini (nascido em Itália, e com dupla nacionalidade – italiana e sueca) desmonta o cenário e põe a nú algumas das realidades menos conhecidas do país que o acolheu, expondo as fragilidades que se escondem sob a aparente capa de paz social e crescimento económico.

“A Teoria Sueca do Amor” é genial pela aparente facilidade com que nos imerge na realidade desse país, por vezes de uma forma tão surreal que questionamos se estamos realmente a falar de um território na Europa, cuja realidade pensamos mais ou menos próxima dos valores “ocidentais” que por cá também grassam, ou mesmo se não estaremos a entrar no campo da ficção. Gandini Faz uso de técnicas visuais próximas dos documentários de “ativismo” (alguns dos seus filmes anteriores: Surplus, Gitmo, Videocracy são claramente orientados à denúncia e contestação) bem como de uma montagem sonora que nos sugere e reforça a informação veiculada visualmente (como se de mensagens subliminares se tratassem), também uma imagem de marca do realizador.

Surpreendentemente ausente dos maiores prémios ao nível do documentário, “A Teoria Sueca do Amor” é, no entanto, um filme de grande qualidade, tanto ao nível do guião como da fotografia, realização e montagem e mais importante ainda, na capacidade de cativação do espectador. É por todas estas razões (e mais algumas), uma forte aposta da programação do hádoc, para a sua edição de 2017.

 

Leave a Comment