3 OUTUBRO 2012

É NA TERRA NÃO É NA LUA, de Gonçalo Tocha

180 minutos, Portugal, 2011

Teatro Miguel Franco, Leiria, 21h30

 

A ilha do Corvo é a mais pequena ilha do Arquipélago dos Açores. Localiza-se no Grupo Ocidental, a norte da Ilha das Flores. Ocupa uma superfície total de 17,13 km², com 6,5 km de comprimento por 4 km de largura. É formada por uma única montanha vulcânica extinta, o Monte Gordo, coroado com uma ampla cratera com 3,7 km de perímetro e 300 metros de profundidade e onde se aloja a Lagoa do Caldeirão. Tem uma única vila habitada por 450 pessoas, uma estrada, uma câmara municipal, um avião três vezes por semana, um posto médico, um infantário, uma escola, uma igreja, um restaurante…
Em 2007, um operador de câmara e um técnico de som chegam à ilha dispostos a filmar tudo o que ali se passa. Aos poucos são tratados como família pelos seus habitantes e, com eles, vão contar a sua História e as suas histórias.
Segunda longa-metragem de Gonçalo Tocha depois de “Balaou” em 2007, é um documentário/diário/filme-ensaio e foi o vencedor DocLisboa 2011, com a atribuição do Grande Prémio Cidade de Lisboa para melhor longa ou média-metragem.

 

 

 

17 OUTUBRO 2012

FOOD MATTERS, de James Colquhoun e Laurentine Ten Bosch

80 minutos, Austrália, 2008

Teatro Miguel Franco, Leiria , 21h30

“Deixa que o teu alimento seja o teu remédio, e que o teu remédio seja o teu alimento.” Esta é a mensagem de Hipócrates, fundador da medicina moderna, que tem eco neste admirável documentário produzido e realizado por James Colquhoun e Laurentine Ten Bosch.
“Food Matters” é um olhar duro e em ritmo acelerado sobre o nosso atual estado de saúde. Apesar dos milhares de milhões de dólares de financiamento e pesquisa gastos em alegadas novas curas, continuamos a sofrer de uma série de doenças crónicas e enfermidades quotidianas. Remendar uma população demasiado intoxicada e demasiado indulgente com uma série de terapias tóxicas e alimentos escassos em nutrientes definitivamente não ajuda à resolução da situação.
“Food Matters” pretende revelar o negócio da doença e ao mesmo tempo explorar a utilização segura, barata e eficaz da nutrição e suplementação para prevenir e reverter os aspectos subjacentes causadores da doença.
Sendo a premissa do filme: o acesso à informação sólida ajuda as pessoas a, invariavelmente, fazerem melhores escolhas para sua saúde, os autores de “Food Matters” financiaram independente o filme, do início ao fim, de forma manter o seu conteúdo o mais imparcial possível, e assim, passar uma mensagem clara e concisa para o mundo.

 

 

7 NOVEMBRO 2012

BLOOD IN THE MOBILE, de Frank Piasecki Poulsen

82 minutos, Dinamarca e Alemanha, 2010

Teatro Miguel Franco, Leiria, 21h30

Os telefones estão a financiar a guerra na República Democrática do Congo.
Adoramos os nossos telemóveis e a seleção entre modelos diferentes nunca foi maior. Mas a produção de telefones tem um lado escuro e sangrento.
A maior parte dos minérios utilizados na produção de telefones móveis são provenientes das minas no Leste do Congo. O mundo ocidental compra estes “minérios de conflito” e, desta forma, financia uma guerra civil que, de acordo com organizações de direitos humanos, tem sido o conflito mais sangrento desde a Segunda Guerra Mundial: ao longo dos últimos 15 anos, custou a vida a mais de 5 milhões de pessoas e 300 mil mulheres foram vítimas de violação. A guerra vai continuar enquanto grupos armados conseguirem financiá-la com a venda de minérios.
Se questionados acerca da origem dos minérios utilizados, nenhum fabricante de telefones consegue garantir que os seus fornecedores não estão a comprar minérios de conflito do Congo.
“Blood In the Mobile” revela a ligação entre os nossos telemóveis e a guerra civil na República Democrática do Congo. O realizador Frank Poulsen viaja até à República Democrática do Congo para ver, com os seus próprios olhos, a indústria mineira ilegal. Consegue ter acesso à maior mina de estanho do Congo, que é controlada por diferentes grupos armados e onde crianças trabalham durante dias em estreitos túneis para extrair os minérios que acabam nos nossos telemóveis.
Depois de visitar a mina, Frank Poulsen esforça-se para entrar em contacto com a Nokia, o maior fabricante mundial de telefones móveis à data da realização do documentário. Frank Poulsen procura que lhe garantam que a empresa não está a comprar minérios de conflito e, consequentemente, a financiar a guerra no Congo. A Nokia não consegue dar-lhe essa garantia.
“Blood in the Mobile” é um filme acerca da nossa responsabilidade no desenrolar do conflito no Congo e sobre a responsabilidade social empresarial.

 

 

 

21 NOVEMBRO 2012

O FIM DA ESTRADA: Como o dinheiro perdeu o valor,
de Tim Delmastro

55 minutos, Austrália, 2012

m|i|mo – Museu da Imagem em Movimento, Leiria , 21h30

endoftheroadWall Street está a ser ocupada. A Europa está a colapsar sobre si mesma. Por todo o mundo, as pessoas são consumidas pelo medo e pela raiva, e existe uma pergunta na boca de todos: a crise financeira acabou ou estamos a caminhar para o desastre económico?
“O Fim da Estrada” é um documentário de 55 minutos que narra o colapso financeiro global. Num estilo divertido e fácil de seguir, o filme conta a história de como o mundo chegou a este estado, fruto das sementes lançadas após a Segunda Guerra Mundial, que provocaram os problemas que enfrentamos hoje e que nos permitem antever um futuro possível para todos nós. Algumas das mais brilhantes mentes na área da economia partilham a história escondida por detrás da má gestão das finanças mundiais e dão-nos uma visão de como uma má política e um sistema monetário falacioso se uniram para criar uma catástrofe.
“O Fim da Estrada” perfila onze comentadores influentes no seio das comunidades financeira e de investimento, que partilham o seu conhecimento da estrutura financeira atual. Através de cada uma das suas narrativas, constrói-se uma história que narra o atual dilema económico e pinta um quadro do futuro financeiro do mundo.

 

5 DEZEMBRO 2012

QUANDO UMA ÁRVORE CAI: Uma história da Frente de Libertação da Terra,
de Marshall Curry e Sam Cullman

85 minutos, Estados Unidos e Reino Unido, 2011

Teatro Miguel Franco, Leiria , 21h30

Em dezembro de 2005, Daniel McGowan foi preso por agentes federais numa detenção a nível nacional de ambientalistas radicais envolvidos na Frente de Libertação da Terra, um grupo que o FBI apelidou de “a maior ameaça terrorista doméstica da América”.
Durante anos, a FLT, que operava em células separadas e anónimas sem uma liderança central, lançou incêndios espetaculares contra dezenas de empresas que eles acusavam de estarem a destruir o ambiente: empresas madeireiras, vendedores de SUV (veículos utilitários desportivos), matadouros de cavalos selvagens e uma estalagem de esqui de 12 milhões de dólares em Vail, Colorado.
Com a detenção de Daniel e mais treze elementos, o Governo desmantelou aquela que era provavelmente a maior célula da FLT na América e levou a julgamento o grupo responsável pelos primeiros incêndios da FLT.
“Quando Uma Árvore Cai – Uma História da Frente de Libertação da Terra” conta a extraordinária história da ascensão e queda desta célula da FLT, focando-se na transformação e radicalização de um dos seus membros.
Parte história de rebeldia, parte thriller de polícias e ladrões, o filme tece uma história verídica de Daniel em prisão domiciliária enquanto enfrenta prisão perpétua, que nos relata de forma dramática os eventos que o levaram a envolver-se com o grupo. Enquanto o faz, coloca questões pertinentes sobre o ambientalismo, o activismo e a forma como definimos o terrorismo.
A partir de impressionantes imagens de arquivo, muitas delas nunca antes vistas, e entrevistas íntimas com membros da FLT, bem como o procurador e o detective que os perseguiu, “Quando Uma Árvore Cai – Uma História da Frente de Libertação da Terra” explora o período tumultuoso que decorreu entre 1995 e início de 2001, quando ambientalistas confrontaram empresas madeireiras e agentes da lei, e a palavra “terrorismo” ainda não tinha sido alterada pelo 11 de Setembro.
Nomeado para o Óscar de melhor documentário em 2012, é uma estreia nacional a não perder.

 

19 DEZEMBRO 2012

COMPLEXO: Universo Paralelo, de Mário Patrocínio

80 minutos, Portugal, 2011

Teatro Miguel Franco, Leiria , 21h30

No Rio de Janeiro, a 13 km do Cristo Redentor, dois irmãos portugueses aventuraram-se na mais temida favela do Brasil, onde moram mais de 300 mil pessoas, e que já foi o maior paiol de armas e drogas da cidade, um lugar chamado Complexo do Alemão.
Em 2007, no período de maior tensão e violência no Rio de Janeiro, viveram de perto a maior operação policial realizada na estado, sentiram na pele o que é acordar com rajadas de fuzis e de muitas vezes dormir acompanhados por tiros. Viveram a vida de um simples morador.
“Complexo” retrata esse perigoso e complexo mundo, um universo paralelo inserido dentro de uma ordem maior, um mundo à parte, que segue uma ordem diferente da ordem global.
Os responsáveis pela maior facção criminosa do Rio falam de forma íntima e crua da violência do tráfico. Eles são o poder instituído perante a ausência de décadas do poder governamental.
Dona Célia, uma mãe batalhadora, com oito filhos para alimentar, mostra o mundo de adversidade em que vive, e a forma como a sua crença em Jesus a faz acreditar que tudo pode. Conforme ela diz “Deus dá roupa, conforme o frio”.
“Deus é grande, mas o negócio é feio” fala o seu Zé, presidente da associação de moradores há mais de trinta anos, viveu o crescimento assustador da favela, a chegada do crime, das drogas e das armas, passou por muitas políticas e guerras, mas sobreviveu. É um sábio da favela.
Mc Playboy é um artista funk, que cedo se deu conta que seu caminho não era o do tráfico. Viu muitos amigos serem assassinados, conquistou o seu espaço na comunidade e sendo um comunicador nato, batalha para destruir os preconceitos e unir os supostos dois lados da sociedade.
Os moradores vivem em tensão constante no meio de um jogo de forças, onde se pode tudo e não se pode nada. Através de cada ação e palavra dos personagens, é acrescentada uma peça de um quebra-cabeça gigante que nos desvenda o quotidiano da favela como um todo.
“Complexo” reflete um fascinante universo paralelo, com uma ordem imersa na aparente anarquia da vida marginalizada brasileira.